Sempre que me pego pensando nessa temática, um dos pontos que gosto de discutir é sobre a relação que se estabelece entre o usuário e a droga - Desde já quero deixar claro que quando estiver usando a palavra droga, estou me referindo a substancias psicoativas ou narcoticas, como o alcool, maconha, crack, etc... Como se dá isso? O uso de qualquer substância que venha a provocar uma modificação no funcionamento de um corpo requer que este tenha um outro tempo para vivenciar essa experiência. E é nesse ponto que quero fazer minha viagem.
As experiências com drogas em outros tipos de sociedades perpassam todo um ritual, toda uma preparaçao de um corpo para passar por esse tipo de vivência. Sejam rituais xamánicos, do saint-daime...esses utilizam-se das substancias alucinogenas para entrar em contato com seus guias espirituais..mas nao é bem disso que quero falar. Ao entrar nessa vivência, o tempo que cotidianamente eles estao acostumados a "seguir" é, vamos dizer, desprezado. Outra forma de encarar o tempo é construída. Um tempo que permita uma relação entre usuário e substancia, onde estes possam produzir algum sentido frente àquela experiência. O uso da droga está ligado a esse tempo, a um certo espaço (nao necessariamente geográfico, produz-se espaços múltiplos de passagem desses corpos) e de uma certa forma já se tem um sentido prévio para o uso.
No nosso modo de viver, vejo essa experiência como diferente. Cada vez mais nos é exigido um ritmo de vida no qual devemos está constatemente fazendo upgrades do que nos dizem ser importante para vivermos: é adquirir o novo mp7; o mais novo laptop da dell, com windows vista (q por sinal é uma bosta hehhe); saber como está a cotaçao da bolsa de tóquio (sendo assim, é bom ficar acordado de madrugada para acompanhar o pregão hehe); quem é o mais novo ídolo das telinhas; e por ai vai...vivemos num ritmo cada vez mais veloz, onde as coisas nos chegam cada vez de uma forma mais fácil e cômoda, porém da mesma forma que nos chegam, elas se vão. Passamos pelos espaços que nos rodeiam, mas não percebemos, não afetamos e nem somos afetados por eles. É como se toda essa velocidade imposta pela forma que vivemos produzisse cada vez mais corpos que somente passam, não se olham, não se cheiram, não se tocam. Afinal essas coisas exigem dos corpos um tempo que não se permite mais perder. Time is money...e money, it's a hit já diria Roger Waters e a galera do Pink Floyd...e é ai nisso que vejo uma das grandes questões referentes a problemática que envolve o uso de algumas drogas. Tempo!!
Drogar-se exige um outro tempo que não o que se está instituído. A experiência com a droga nos possibilita entrarmos ou produzirmos outros tempos, outros espaços...mas como vivenciar isso, se estamos acostumados a um tempo imediatista, onde nada pode ser desperdiçado? Se temos como forma de vida uma base no tempo imediatista, vamos esperar que nossas experiências, sejam elas relacioanadas a drogas, amizade, sexo, estudos, vão pelo mesmo caminho. Por isso que vejo que não é a toa o sucesso de drogas como o crack, onde o efeito se dá de uma forma imediata e com um força incrível. Posso dizer que tem muito a ver com o modo que vivemos ou somos disciplinados a viver, onde as coisas perdem uma potencia de produção de sentido, mas ganham uma força de uso e abuso, só que de uma forma não nos mexamos, que fiquemos em nossa posição cômoda e passiva.
"The time has gone, the song is over"só que no meu caso acho que, por enquanto, não tenho mais nada a dizer :P. Espero o comentário de quem lê isso aqui.
P.s.: quem quiser ler isso ouvindo o Dark Side of The Moon do Pink Floyd, acho que seria uma boa heheheh