6 de maio de 2008

Estrátégias de poder em Foucault: disciplina e vigilância

Olá a todos, cá estou, em uma singela tentativa de expressar os entendimentos dos temas discutidos em nosso último encontro acadêmico. Então começemos pelo começo.. a partir das micro-relações Foucault propõe a idéia de um poder disciplinar que põe em funcionamento uma rede de procedimentos e mecanismos que atinge os aspectos mais sutis da realidade e da vida dos indivíduos, podendo ser caracterizado como um micropoder ou um subpoder, que se capilariza e consegue se fazer presente em todos os níveis da rede social. O poder disciplinar estudado por Foucault apresenta duas formas básicas de punição: o suplício e a prisão. É em decorrência dessa última que surge a disciplina, com suas funções e instrumentos de controle.
Dessa maneira, as relações de poder podem ser percebidas em qualquer situação cotidiana; entretanto, elas adquirem maior eficácia quando estão institucionalizadas. Essa idéia parece entrar em contradição com o alerta de Foucault concernente ao estudo das relações de poder nas instituições. Ele expõe três argumentos para demonstrar a inconveniência desse tipo de estudo: a função reprodutora dos instrumentos de poder que as instituições possuem para garantir sua própria conservação; a explicação do poder pelo poder, uma vez que se busca a causa das relações de poder nas instituições; e o privilégio ou das regras ou do aparelho estatal como marcas da manutenção da lei por meio da coerção.
Ao pensar-se em subjetividade autônoma deve-se compreendê-la como a capacidade de pensar. No entanto, um pensar não com sentido cartesiano, mas como uma forma de problematizar as verdades, as leis, as forma de vida, etc. Foi isso que fez Foucault perceber que talvez o problema político, ético, social e filosófico do presente, não seja tentar libertar o individuo do Estado e de seus instituições, mas liberar-nos tanto do Estado quanto do tipo de individualização que está ligado ao Estado.
As discussões do último encontro transpassaram a questão da comunicação social na atualidade se configurar como um dispositivo de disciplina e controle, o que pode ser percebido claramente nas discussões enviesadas dos meios de comunicação de massa, situações como" Caso Isabela", entorpecem e desviam o interesse dos espectadores de assuntos mais pertinentes à produção de sentido de sua individualidade, concordo com as colocações da colega Ariane, quando enfatiza que o sujeito deve produzir um sentido ao seu cotidiano, mesmo que seja ele em forma de "válvula de escape" e que se "escape"em um encotro com travestis ;P
O que pude apreender dentro dessa discussão é que, é então, a partir da luta travada no cotidiano, das estratégias de ação, das práticas discursivas que podemos compreender a idéia foucaultiana de objetivação do sujeito, posto que é a partir daquelas que o sujeito irá se objetivar, se constituir.

2 comentários:

Anônimo disse...

Paloma! Não entendi o comentário sobre "valvula de escape" e "encontro com travestis". Fui eu mesma que falei? Como foi mesmo? Obrigada, Ariane

Paloma Sant 'Anna disse...

Ops!descupe se não fiocu claro colega, as idéias se misturam numa velocidade que fica difícil de organizá-las, então, falei em válvula de escape referente ao episódio ocorrido com o jogador Ronaldo, com os travestis, que Kleber trouxe como meio de discutirmos os dispositivos de disciplina e controle, não foi de vc essa fala foi minha mesmo,ok?
até a próxima.