Olá pessoá! Se eu fosse traduzir a aula de ontem (10 de Junho) em uma única palavra, esta seria: provocação. Talvez seja uma perspectiva pessoal (aguardo esse feedback), mas a disciplina, para mim, tem sido, significativamente, provocativa.
Inicialmente, durante a apresentação aos referenciais teóricos da lina de pesquisa Processos de subjetivação, especificamente do grupo de professores à fente da disciplina, houve um estranhamento que através da discussão em sala, da mediação entre professores e alunos começou a se transformar em entendimento.
Ontem Kleber fez o convite para pensar a prática a partir das discussões que fizemos até então, considero que Renata disparou o que a gente precisava para acalourar o debate, ela falou de seu estudo sobre a concepção de eu para a psicologia na comunidade, a partir disso resgatamos conceitos em torno da produção de subjetividades e a prática. Esse diálogo entre teoria e prática soou, para mim, áspero, difícil. Retornei a um estado de estranhamento, angústia, a prática me solicita reflexão, respostas e ação.
No texto passado: "Uma ciência do atual?" Maurício afirma o seguinte princípio ético: "O psicólogo não deveria ser um moralista, jurista, policial, isto é, uma adaptador. Sua tarefa não é dizer o que se deve ou não fazer, o que se pode ou não fazer. Sua tarefa é fazer circular fluxos estacionados, ficar atento ao atual".
Esse é um direcionamento prático. No dia a dia estamos entre situações em o que fazer já vem dado, imposto, como redes de captura num discurso do Estado. Deluze em Mil Platôs diz que "é pretensão do Estado ser imagem interiorizada de ordem de mundo e enraizar o homem".
A angústia circula em torno de uma implicação ética que me cobra ações responsáveis, justamente por considerar o outro como sujeito e não objeto. Como, então, analisar fluxos estacionados, instituídos e que não servem às pessoas, reproduzem um discurso e fazeres que nos enraizam em diversas formas de miséria, e trabalhar o movimento estando atentos a ele com responsabilidade?transformar o nosso fazer como uma "haste para um rizoma".
Existe poder no fazer de qualquer um de nós, enquanto somos psicólogos ocupamos um lugar de poder, o que fazer com ele? Ele circula nos espaços, ele requer uma hierarquia, mas a prática oferece lugar para outros entendimentos...
Em um artigo publicado na Revista Aulas (2007): Dossiê Foucault chamado: “A articulação entre “teoria” e “intervenção social” nas filosofias de Jean-Paul Sartre e Michel Foucault” de autoria do doutorando em filosofia André Constantino Yazbek, encontramos a seguinte citação de Foucault:
“O papel do intelectual não é mais o de se colocar ‘um pouco antes ou um pouco ao lado’ para dizer a verdade muda de todos; o seu papel é antes o de lutar contra as formas de poder lá onde ele é simultaneamente o objeto e o instrumento desse poder: na ordem do ‘saber’, da ‘verdade’, da ‘consciência, do ‘discurso’. É por isso que a teoria não expressará, não traduzirá, não aplicará uma prática: ela é uma prática. Mas uma prática local e regional, (...) não totalizante”. (Foucault, 2001d: 1176).
“O papel do intelectual não é mais o de se colocar ‘um pouco antes ou um pouco ao lado’ para dizer a verdade muda de todos; o seu papel é antes o de lutar contra as formas de poder lá onde ele é simultaneamente o objeto e o instrumento desse poder: na ordem do ‘saber’, da ‘verdade’, da ‘consciência, do ‘discurso’. É por isso que a teoria não expressará, não traduzirá, não aplicará uma prática: ela é uma prática. Mas uma prática local e regional, (...) não totalizante”. (Foucault, 2001d: 1176).
Nenhum comentário:
Postar um comentário