Impossível para mim a tarefa de fazer um resumo de nossa última aula (22/04/08), até por que algum tempo se passou e talvez eu comece a aceitar a idéia de escrever logo após o término da aula. Enfim, mas a impossibilidade do resumo não é apenas pelo tempo que se passou até eu escrever isto, mas sim da não linearidade, da multiplicidade de vozes que dialogavam na sala de aula. A aula começou com Kleber convidando-nos a estabelecer conexões, a apresentar questionamentos em torno do texto do autor Dreyfus, sobre trabalhos de Foucault. Foi a partir de então, ou talvez não partisse daqui – eis que entra a impossibilidade de descrever, ou até mesmo de alicerçar-me em minhas anotações – que não sei bem como, fomos parar em uma discussão sobre superficialidade e profundidade. Ah, lembro que essa discussão tinha a ver com a Verdade, e com a Genealogia de Foucault como Método. No sentido de não buscar uma verdade que não aparece, “escavando para”, ou “retirando-se máscaras” para encontrar a Verdade. Mas sim, atentar para a verdade que aparece na superfície.
Também não sei como fizemos com que nossa imaginação nos transpusesse para paisagens com praias, cajueiros e ao abrimos os olhos nosso dedo apontava para um caju que imaginamos. Enfim, tantos comentários, pensamentos, afetações que fico imaginando o que pensaria alguém não pertencente ao mundo foucaultiano, deleuziano, guatarriano, entre outros ou alguém não filosófico ou psicológico que acompanhasse os acontecimentos daquele cenário... Quiçá penso o que a aula produziu naquela multiplicidade de sujeitos, a multiplicidade de compreensões. Nossa, realmente, a aula foi muito interessante, mais ainda foi saber um pouco sobre a vida de Foucault, que o mesmo como militante de uma revolução, que não lembro qual, opunha-se ao que Simone de Beavouir, construía para a emancipação da mulher. Fato esse que pode ser associado às contradições que parecem estar inerentes a nós mesmos, mesmo quando parecemos estar imunes a elas, principalmente se falamos em posicionamento e fazer política.
Para mim, na minha produção de sentido, fomentada pelas colocações de Kleber, sobre “com sentir” e consentir. É como se Foucault, nos nossos dias atuais, nos convidasse a não apenas consentir sobre as coisas, mas sim, fazer com que essas coisas façam sentido para nós. Um convite a produzir um sentido, em oposição a apenas consentir. E talvez até mesmo, experienciar um “sem sentido”, para poder enunciar se aquela verdade que está sendo dita produz sentido. Talvez essa verdade nunca se torne hegemônica, e também nem é essa a intenção, até mesmo para que ela possa, muito mais do que afirmar verdades, questionar sobre elas, sobre os autores das verdades, dos lugares e poderes das Verdades. E por fim, minhas anotações dizem que na próxima aula nos deteremos nos capítulos 7 e 8. Até a próxima viagem, até breve!!!
27 de abril de 2008
Boa Viagem
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2 comentários:
Pois é.... a viagem foi longa, mas ainda tenho dúvidas se foi boa pra mim. Tive dificuldades em acompanhar não só a velocidade, mas o rumo que as coisas foram tomando... Até agora, não sei ao certo se dormi durante o trajeto, ou se saltei no meio do caminho. Em parte a especulação e/ou em parte a busca por uma ancoragem (e talvez, portanto, uma especulação de outo tipo) aquilo não me levou junto. Realmente fiquei num não-lugar.
Vamos às proximas viagens....
Bruno, em relação a esse encontro, apresentado pela Ariane, acho que ele não se fez por um caminho, apenas. Digo isso, pelos atravessamentos que apareciam nas reflexões, dinâmicas e causos contados. Em mim, pareceu um espaço habitado e experimentado. Mas esse espaço aqui, nos permite pontes àquilo que ficou em meio. Conversamos lá sobre genealogia e modos de interpretação do sentido: tipo a produção do sentido via "ditos e não ditos" (as superfícies) e a especulação para um sentido que se queira do mesmo modo em que se fez. Como isso apareceu para vc?
Abraço!
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